Ogun, Gu e Avagan

Definições:

- Ògún: divindade yorubá da guerra e dos metais;

- Gü: divindade fon-yorubá, uma adaptação do culto do orixá Ògún, carrega também os nomes Gü Xuntonji (ou Huntonji), Ogü, Dagü e Ogün mesmo. É uma divindade popular (Toxwyo);

- Avagän ou Güavagän: divindade fon, provavelmente da cidade de Aladá, um ancestral divinizado, ligado ao culto do vodun-orixá Gü, cujo nome na língua ajagbé significa “senhor do metal”, é uma divindade local.

A incorporação do culto do orixá Ògún e sua adaptação ao culto de vodun Gü

O culto de Ogun foi levado ao Dànxómè por ferreiros yorubás no final do séc XVII. De acordo com Verger: “Para os Fon do Dahomey, Gü desempenha o mesmo papel que Ogum dos yorubás, mas, como Odùduà, é desconhecido em Abomey, Gü ai, é considerado o filho de Lisà e Mäwü, versão fon de Orìsàálá e Yemowo. Maximilien Quénum, o compara a Legba e assinala sua presença diante das forjas. Christian Merlo indica que “todos os templos” têm seu Gü, cuja virtude é fortificar o vodun.” Seu emblema principal é o Gubasá, uma adaga metálica adornada com desenhos, utilizada em diversos rituais, incluindo o culto de Fá. O Gubasá também é conhecido e utilizado no Vodu haitiano. O Gudaaglo, facão de tamanho menor, é um outro emblema, símbolo de proteção e defesa contra os inimigos. Na iconografia fon, é representado segurando estes dois sabres, o Gubasá na mão direita e o Gudaaglo na mão esquerda.

Avagän e os ancestrais divinizados da família de Gü

Na língua ajagbé “Ava – metal; Gän – senhor no sentido de importância”, juntamente com outros “Ogus” é um ancestral divinizado ligado ao culto de Gü/Ogun, provavelmente da cidade de Aladá, esta divindade está ligada e cultuada no templo de Dan Devi Gbafónnò Deká, por isso quem sabe se deva o fato da presença da serpente em seus assentamentos, que no Brasil é feito pelos ritos da nação do Batuque. Além de Avagän temos outros divinizados como Badaagli ou Badagri, divindade muito conhecida no Haiti, Gü Ama-Kluno ligado ao culto de Agué e Sakpatá na região de Savalú.

Ògún na tradição Maxi

Dentre os Maxinu e Agonli, Ogun é tratado como divindade yorubá, com pequena adaptação ao seu culto. Devido a tradição maxinu, muito próxima ao culto yorubá, Ogun manteve muito de suas características.Ludovina Pessoa, a sacerdotisa que foi responsável pela estruturação da nação jeje na Bahia era de Ògún (Ogun Rainha).

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Aziza

AZIZA xebyoso
Aziza é um Vodun do interior das florestas. É um Vodun que vive nos mais profundos e escuros lugares das florestas, descrito como anão e peludo, ligado ao mundo das criaturas estranhas, a Höxò, a Tòxosú, a Agué e as Kenesis.

É por excelência o Vodun dos mistérios das plantas. Também é o Vodun que faz aflorar no homem os mais profundos sentimentos ligados a arte, as emoções e seu sentido de existir.

Está ligado aos mistérios e fundamentos de todos os Voduns por sua relação com os mistérios das plantas e das folhas.

Aziza não tem culto muito difundido na diáspora como Agué cujo culto se sobressaiu sobre o de Aziza, embora dentro do culto de Agué, principalmente nos ritos onde se usa amä (folhas) Aziza seja invocado e louvado, pois os dois Voduns tem muitas ligações.

aziza dan

Abaixo um xwenuxó (itan) de Aziza da tradição oral dos jejis e um poema de invocação a Aziza:

“Certa vez um caçador que emigrou para uma determinada área bem florestada, estranhou por que a caça estava à cada dia que passava mais reduzida, num dia em que caçava no interior de uma floresta, onde aprofundou-se, e sem ouvir sequer um ruido, voltando-se depara com um ser pequenino, tipo anão, de olhos luzentes e avermelhados como brasas vivas, era Azizà, grande amawato (curandeiro), azètɔ ́(feiticeiro) e protetor dos animais e plantas das florestas que se apresentou e lhe perguntou o que ele fazia ali? O caçador respondeu que estava em busca de caça, porquê estava com fome. O pequeno ser, então, disse que da próxima vez que voltasse, trouxesse dois frangos para comer, mas que lhe faria um “bò” para que nunca faltasse comida em casa, já que fazia muitos e com distintas finalidades. Mas o que seria o tal “bò”? O caçador muito assustado com tudo isso, voltou para casa pensando como poderia levar dois frangos se somente tinha um galo e uma galinha?
Chegando em casa, para seu maior espanto, sua galinha botara muitos ovos, e alguns chocaram, e dalí se pôde tirar os frangos e levar para a floresta para que aquele gênio lhe preparasse o “bò” para sua prosperidade. O caçador penetrou na mata e assobiou chamando Azizà que lhe entregou uma estatueta esculpida em madeira, e lhe ensinou como tratá-la. Ele retornou com o “bò” e a partir dalí suas criações e campos cultivados prosperaram incessantemente, então o “bò” passou a ser adorado como objeto de culto vodún que desempenha funções místicas específicas. 

Aziza (Poema)
Aziza, clarividente espírito nos profundos abismos. Nem seus pés ou mãos deixam vestígios. Na trilha dos volumosos arbustos intercalados, sem cortes, sem ferramentas ou pirilampos na noite. Seu corpo e sua mente passaram por moradas do medo, trilhas iluminadas pelo escuro opaco e preto para entrar no reino cobiçado, mas de desconhecidos gênios.
Aziza, tua lenda alimenta várias histórias, canções e contos, e para a conta do seu destino para sempre enganados. A série de mistérios brota na lenda ancestral. Quem reforça o seu passado e seu personagem reanima a contesta. Em um solo úmido ou madeira podre, enlameada, na floresta ou sobre os montes nus, a chuva é a suspeita de tuas virtudes e de seu colorido, de seu nada e de seus feixes de madeira morta.
Em seu pensamento e seus gritos de pesados silêncios, algumas glórias ao segredo de sua medida. Outros afirmam a fúria de sua ira. Mas para todos, és uma estadia de profundidade desconhecida. Seu conhecimento das plantas, Aziza, faz da floresta, que sábio pára, para assistir na madrugada ou à noite.
Você confia na serpente que levanta a folha e faz os mortos retornarem à vida, desde o sapo. Em pálida tristeza, por vezes o guerreiro procura sua ajuda, que é de uma forma desconhecida de todos os homens.
Na palma do Loko você recolhe a água, que o céu em misericórdia enviou ao seu pedido. A procissão do vento acompanha o seu produto, e o sopro de suas localizações em passos surdos sem tentar manter o seu legítimo lugar. Invisível ao homem, com seu talento e sua íris, é Aziza no seu mítico, vagando longe dos perigos.
Tu visitas a nossa coragem em nossas entranhas, forja envergonhada, e é eleito um prodígio em sua volta, enquanto que transformou. De sua força, eles têm uma grande consciência, mas em sua memória, eles perderam a faixa, despossuídos pelo véu do passado, do cordão umbilical da sobrevivência. Eles, seus poderes e seus dons para proclamar os benefícios.
Da sua boca a palavra que alivia e cura, de suas mãos, a receita que se refere à doença. Com base nisso, eu baseio a minha crença – Aziza – na sua existência, feito desfoque e mistério que não sai. Aziza, o espírito do gênio, continua a ser aquilo que sempre foi. (Poema feito por: Fiangor, Rogo Koffi.)aziza sakpata

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Protegido: Saudações dos Voduns

agosto 26, 2012 Digite sua senha para ver os comentários.

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Protegido: Tá e Tásèn: o conceito jeje de “orí”

março 14, 2012 Digite sua senha para ver os comentários.

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Averekete, Logun Edé e Ajaunsi – diferenciação

Avlekete ou Averekete é um vodun ligado à pesca e a caça, erroneamente comparado ao orixá Logun Edé e a um outro vodun chamado Ajaunsi. Estas divindades são bem diferentes uma da outra, sendo sincretizados, talvez, pela característica de ambos serem ligados a caça e a pesca, mas a cosmogonia deles é bem diferente.

Logun Edé é um orixá de Ijexá filho de Oxun e Odé, ligado a caça e a pesca, um dos mais belos Orixás, pois assim também a beleza é uma característica de seus pais. Suas cores são o azul turquesa e o amarelo ouro e tem como símbolos a balança, o ofá, o abebè e o cavalo marinho.

Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes.
No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.

Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Naés (mães d’água). É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naés. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. Suas cores variam entre o azul, o verde e o amarelo.

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Família de Sakpata

junho 29, 2011 Comentários desligados

Sakpata é um vodun muito temido e respeitado, o senhor das doenças contagiosas e intitulado “Ayinon” – o Dono da Terra. Considerado uma divindade de dupla etnia, pois seu culto transita entre os povos Fon e Yorubá, onde é conhecido pelo nome de Sòpònná (Xapanã).

Sakpata é considerado por alguns como o primogênito de Mawu-Lisá, e por outros como sendo filho da antiga mãe Nanã Buluku. São muitos os voduns que fazem parte da família de Sakpata, todos tendo características e culto próprio mantendo relações de semelhanças entre si. Todos estes voduns estão ligados à terra, às doenças e a cura. Alguns estão associados à riqueza e a miséria. Suas vestimentas são feitas ou levam a palha da costa, um dos principais símbolos destes voduns. Alguns usam o xaxará, outros o bastão, a lança e o facão. As cores são variadas, mas geralmente se remetem aos tons mais escuros, em especial o roxo, o preto e branco, o bordo e o vermelho.

Azansú (homem da esteira) ou Azonsú (homem doente) são os nomes pelo qual Sakpata é conhecido nos candomblés jeje mahi. Usa palha da costa que lhe cobre todo corpo e o xaxará, com o qual capta e retira a energia negativa dos ambientes. Sua cor é o roxo ou o bordô. A saudação para os voduns desta família é “Abáo, sísí daagbo”.

Avimaje é um vodun jovem da família de Sakpata, o mensageiro entre os voduns desta família. É ele quem “carrega as almas”, veste-se de branco e é guerreiro. Carrega um facão e não usa o xaxará. Tem ligações com o vodun Kposu.

Parará, Kpadadá ou Pararaligbú é um sakpata feminino. Rege a terra e as doenças, e as feridas provocadas pela varíola simbolizam as jóias de Parará. Sua cor é o roxo. Carrega um pequeno xaxará.

Azoani, Azawane ou Azonwäne é considerado, principalmente pelo jeje do RJ, como um vodun das ervas, com muita ligação ao vodun Agué. Para outros porém esse nome é apenas mais um “apelido” de Azonsú-Sakpatá (e é assim que consideramos aqui em minha casa).

Em geral todos estes voduns são muito exigentes com seus filhos, sendo amados e temidos por eles. Cabe aos sakpatas a fiscalização das casas de religião, sempre mantendo a moral e os bons costumes. Ewá está intimamente ligada a Azansú, sendo a responsável pela tarefa de fiscalizar as casas para os demais sakpatas.

Na África, até hoje, os sacerdotes de Sakpatá são chamados de Ánàgónú, talvez uma referência a possível origem nagô deste vodun.

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O Vodun Azannado ou Zòonodò

Vodum muito pouco conhecido e cultuado que pertence à família (panteão) de Dan, outros consideram que seja de Hevioso, mas certamente está ligado aos dois. Azannado (Azanadô) ou Zòonodò (Zônodô) é um vodum de morada na árvore, estando por este motivo ligado também ao vodun Loko. É um principe vodum.

No Terreiro do Bogun, havia uma enorme árvore (atinsá) consagrada ao vodun Zòonodò, que foi derrubada pelo tempo. Neste terreiro faz-se obrigações anuais (6 de Janeiro) a ele.

Alguns consideram que o Vodun Zòonodò é o mesmo Vodun Zomadonu cultuado na Casa das Minas. Zomadonu é um Tòhosú (Tòxosú, termo que significa “rei das águas”, trata-se de uma divindade que se manifesta em crianças que nascem com deficiencias ou monstruosas), filho carnal da rainha Kuande e do rei Akaba, do antigo Dahomey.

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