Batuque do Rio Grande do Sul – uma religião de orixás

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Texto de autoria de Alexandre Honorato Custódio:

“Batuque é uma forma genérica de denominar as religiões afro-brasileiras de culto aos Orixás, encontrada principalmente no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde sua diáspora se estendeu para outros estados e países vizinhos tais como Uruguai e Argentina.O batuque é fruto cremos que dos povos oriundos África de regiões onde hoje se situam Nigéria e o Benim. Aqui sendo adotado por povos que chegaram oriundos de outras regiões onde hoje se situam a Costa da Guiné.

Divindades:

O culto, no Batuque, é feito exclusivamente aos orixás, sendo o Bará(Exu) o primeiro a ser homenageado antes de qualquer outro pois este é o orixá da comunicação, e encontra-se seu assentamento em todos os terreiros. Os principais orixás cultuados são: Bará, Ogum, Oiá-Iansã, Xangô, Ibeji (que tem seu ritual ligado ao culto de Xangô e Oxum), Odé, Otim, Oba, Osanha, Xapanã, Oxum, Iemanjá, Nanã, Oxalá e Orunmilá (ligado ao culto de Oxalá). E há também divindades que nem todas nações cultuam como: Gama (ligada ao culto de Xapanã), Zína, Zambirá e Xanguín (qualidade rara de Bará). Apesar de considerarem muitas divindades Voduns, sabemos que os Ioruba já vieram cultuando estes Vodun que atualmente se encontram no Batuque como Orixás, assim como Johson registra em seu livro “The History of the Yorubas” pub em 1895, que Xapana e outras divindades Vodun já eram cultuadas por eles.

O Batuque possui centenas de casas e inúmeros praticantes e adeptos.

O Batuque Possui:

– Rituais próprios para feitura e desligamento.
– Jogo Próprio.
– Cozinha ritualística própria adaptando o que temos no Sul como oferendas as divindade.
– Assentamentos, Paramentação e ferramentas próprias para cada divindade.
– Orins próprias.
– Disposição dos Orixás dentro do quarto de santo
– Divindades que são cultuadas dentro do templo e fora dele

Em comum em todas as tradições do batuque vemos:

– Xangô (Rei em quase todos as Tradições): Rei de Oyo. Oyo nós dias de hoje, Cidade Na Nigéria onde o Alafin líder religioso e político acredita-se ser descendente direto. O que não quer dizer que o batuque possui ligação com a religião praticada lá.
– Kassum (Balança): Mesmo nos lados onde Xangô não é o rei a balança é feita entre suas orins (cantigas/rezas) sendo ele quem deve julgar a Obrigação.
– Rituais (oribibo, bori, etc.): guardando as diferenças em todos os lados seguem mais ou menos os mesmos passos.
– Orins (Rezas cantigas, chamadas de rezas por alguns adeptos, mas não são rezas, são apenas cantigas): Praticamente as mesmas, guardando também algumas diferenças.
– Sequencia Toque: Praticamente as mesmas, guardando também algumas diferenças.

A de se fazer um adendo para o Oyo Ibomina onde a uma diferença maior quando a sequência em que os orixás são dispostos no toque. Bom, os povos que aportaram no Rio Grande do Sul vindos das regiões citadas acima não desceram aqui com um culto formado mais fica claro que o panteão Ioruba é o panteão adotado pelo batuque para a formatação culto.

As diferencas existem sim mas não tão marcantes para caracterizar cada tradição como uma nação religiosa. Como vemos no candomblé como Ketu (Orixá), Angola (Inkisis) e Jeje (Vodun) quanto as divindades cultuadas . Nossas diferenças são mais de cunho familiar (qualidades diferentes de Orixás, métodos adotados na feitura, sequencia como são saudadas as Divindades(Orixás) etc..).

Deixando claro que no Sul não existe somente o batuque temos outras formas de culto para outras divindades como Os Voduns, Inkisis etc. Que também são divindades africanas mais pertencem a outro panteão que não o Ioruba e possuem ritos e oferendas próprias.”

Erick Wolff sobre “Nações”

“Nos diversos segmentos religiosos afro-brasileiros todos querem legitimar-se afirmando que sua “nação” é originalmente oriunda de solo africano, desta ou aquela região, iniciado por fulano ou ciclano cujo nome jamais poderá ser checado, supostamente nascido na África. É louvável o desejo da legitimização africana, se não fosse ilusório.

Todas as nações religiosas afro-brasileiras, de todos os segmentos, nasceram no Brasil, são afro-brasileiras, não são africanas, não representam nenhum Estado ou Cidade africana, não praticam nenhum culto na forma tradicional africana mesmo que possuam nomes de cidades africanas em suas definições afro-sociais. É verdade que foram formadas por elementos de matrizes africanas aqui repensadas e reestruturadas, mas estas heranças culturais e religiosas não fazem de nenhuma nação de religião afro-brasileira uma nação pura africana…

…A nação afro-brasileira de Kétu refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, e não à cidade ioruba africana de Kétu, localizada no Dahome. (José Beniste)…A nação afro-brasileira Angola refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, e não ao país africano de Angola….A nação afro-brasileira Jeje refere-se a uma nação afro-religiosa do candomblé, batuque ou tambor de mina. Segundo o professor Reginaldo Prandi (USP), não existe nenhuma nação política denominada “jeje” em solo africano. O mesmo vale para a nação religiosa afro-brasileira “nagô”…

…A nação religiosa afro-brasileira kambina, do batuque, refere-se a uma nação religiosa criada e estrutura aqui no Brasil, tanto quanto as outras, e não à alguma cidade ou nação na África. Se as outras aqui formadas são legítimas para o Brasil, a kambina também é. Alguns sacerdotes tentam equivocadamente afirmar que a kambina trata-se de Cabinda, província de Angola, apenas pela semelhança do nome”.

Comentário de Hùngbónò Charles:

Nota-se pelo esclarecimento do autor, que ao nos referirmos à religião denominada Batuque do Rio Grande do Sul, estamos falando de uma religião onde a cultura yorubá e culto de suas divindades – Os Orixás – são a base e a estrutura da mesma, com alguma ou outra influência dos denominanos “jejis” e/ou de suas divindades voduns. Analisamos diversas subdivisões dentro do Batuque do RS, denominadas Kanbina (muitos consideram Cabinda, no entanto não há evidências de sua procedência com a região de Cabinda no continente africano, nem mesmo cultuam divindades bantu), Oyó (e Oyó Igbomina), Jeje (cultua igualmente Orixás, atribuida esta raiz a Custódio Joaquim de Almeida, o qual se acredita ser o príncipe do antigo Reino de Benin, no entanto há divergências históricas quanto a esta figura; vide https://ocandomble.com/2016/02/01/o-principe-custodio-de-xapanasakpata-erupe-e-seu-culto-nago/ , Ijexá e Nago;

A ocupação ou manifestação do orixá é tida como tabu e não deve ser comentada.

No Batuque não existem divisões de cargo tal como existe no Candomblé, no entanto há uma hierarquia que segue:

Babalorixá e Iyalorixá – respectivamente o Pai e a Mãe de Santo; muito embora alguns sacerdotes atuais usem nomenclaturas como Voduno ou Gayaku, tais nomenclaturas não fazem parte nem são utilizadas de maneira correta para se referir aos cargos sacerdotais do Batuque;

Alagbé – é aquele que toca e canta os orins;

Pronto com faca e búzio – é aquele que já é mais velho e já passou por todas as obrigações, análogo ao Egbomi do candomblé;

Pronto – Já passou pelas obrigações, no entando ainda não ganhou direito à faca nem aos búzios;

Borido – aquele que realizou apenas o Borí;

“Cabeça-lavada” – é a pessoa que passou apenas pelo Omieró, o ato de lavar a cabeça com ervas;

A Festa do Batuque

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Após as obrigações cumpridas e encerrada a Levantação (nome dado ao término das obrigações pois como diz a palavra, será levantado todas as frentes que ficaram em um determinado tempo dentro do Quarto-de-Santo), será tocada a Festa, o Batuque.

Normalmente como em uma festa social, muitos convites foram distribuídos para outras Casas de Religião, fiéis e até mesmo curiosos.

O Pai ou Mãe-de-Santo, ajoelhado em frente ao Quarto-de-Santo (lugar onde fica os assentamentos dos orixás), juntamente com todos seus filhos e demais convidados de Religião, tocando a sineta, faz a chamada de todos os Orixás de Bará a Oxalá com suas saudações específicas, pedindo a cada Orixá as coisas que a eles competem. Terminada a chamada, o Pai-de-Santo autoriza o tamboreiro a começar o toque, que correrá em ordem de Bará a Oxalá. Todos que estão na roda dançam com as características de cada Orixá ao qual está sendo tocada a reza, como por exemplo na reza do Bará, todos dançam como se abrindo portas com uma chave em punho na mão direita, já que este Orixá é o dono da chave e abertura dos caminhos, na Reza do Ogum, os fiéis dançam com a mão direita como uma espada tocando a mão esquerda.

A Mesa de Ibejis

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O Príncipe Custódio de Xapanã/Sakpatá Erupe e seu culto Nàgó

Custódio Joaquim Almeida de Xapanã Sakpatá erupê

O “Príncipe Negro” ou Príncipe Custódio de Xapanã é uma das mais importantes e controversas personalidades dentro da formação e estruturação da religião afrosul, denominada Batuque do Rio Grande do Sul, praticada sobretudo nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (além de outros estados em menor proporção) e também em países como Argentina e Uruguai, para onde este culto migrou através de seus sacerdotes.

A figura de Custódio, é sempre associada ao povo Fon (Jeji) e a ele se atribue a vertente Jeji/Jeje-Glefe/Jeje-Nagô, praticadas nas liturgias do Batuque, e os Voduns que fazem parte do mesmo. No entanto é uma precipitação atribuir esta personalidade como sendo um Fon/Daomeano, ou mesmo dizer que ele foi o responsável pela estruturação do culto de alguns Voduns no Batuque (que nesta religião não tem um culto exatamente organizado e que são cultuados segundo a cultura yorubá, na forma de “qualidades de Orixás”). O Príncipe Custódio de fato era africano, mas não daomeano. Trata-se de um dos príncipes da dinastia do povo Bini ou Edo, habitantes do antigo Reino de Benin, localizado a sudoeste da antiga cidade de Ifé (hoje, Lagos), na atual República da Nigéria.

Para entendermos um pouco da cultura do povo Bini ou Edo, vamos analisar como esse povo emergiu como civilização.

O Reino de Benin e o Povo Edo

O Reino de Benim formou-se entre os séculos XII e XIII, onde tem sua História montada através das investigações arqueológias e também através dos mitos que envolvem sua fundação. Os mitos que envolvem a fundação de Benin, estão intimamente relacionados aos mitos de fundação de Ifé; Acredita-se que Ifé fora fundada por Odudua, um dos orixás da criação, a mando do deus supremo, Olorum. Benin, por sua vez, teria sido fundado por Oraniã, orixá das profundezas da terra e filho de Odudua. A lenda sobre Oraniã ainda faz referência a um suposto filho que ele teve, Eweka, que teria sido o primeiro rei, ou Obá (nome adotado dos Yorubás), de Benin. O fato é que o Reino de Benin contou, ao longo de sua trajetória, com poderosos Obás. No século XV, um desses obás, Ewuare, promoveu intensas reformas no reino, transformando Benin em uma grandiosa potência subsaariana. A língua falada por este povo chama-se igualmente edo, aproximando-se a língua yorubá, e sua cultura também encontra-se atrelada a cultura do povo Yorubá.

Obá Ovonramwen de Benin e Osualele Okizi Erupé

Ovonramwen Nogbaisi (Obá de Benin, entre 1888-1897), também chamado Overami, foi o Obá (rei) do Reino de Benin até a expedição punitiva britânica de 1897.

No final do século XIX, o Reino de Benin ainda havia conseguido manter a sua independência com relação ao monopólio britânico. O território, no entanto, a muito estava sendo cobiçado por um influente grupo de investidores por seus ricos recursos naturais, como óleo de palma, borracha e marfim.  O reino foi em grande parte resistente ao controle britânico, e uma pressão contínua de figuras como o vice-cônsul britânico James Robert Phillips e Capitão Gallwey, que se empanhavam para a anexação britânica do Império Benim e a remoção do Obá Ovonramwen.

A força de invasão britânica chefiada por Phillips, foi estabelecida, para derrubar o Obá em 1896. O plano de Phillips era ganhar acesso ao palácio de Ovonramwen, dizendo que queria fazer negociações. Mensageiros de Ovonramwen no entantp emitiram várias advertências para não violar a soberania territorial de Benin, alegando que o Obá era incapaz de ver Phillips naquele momento devido a deveres cerimoniais. Tendo sido avisado em várias outras ocasiões no caminho, Phillips provocou o Obá, um insulto deliberado destinado a provocar o conflito que iria fornecer uma desculpa para a anexação britânica. A expedição de Phillips no entando falhou e muitos de seus homens mortos. Posteriormente, uma operação militar contra o Reino de Benin, em 1897, liderada por Harry Rawson resultou na queima da Cidade de Benin (capital do Reino) e na mortes de um número incontável de seus habitantes. Embora os britânicos tivessem ordem para executar o Obá, Ovonramwen escapou, mas logo depois se rendeu, conseguindo fazer um acordo com os britânicos, que ele e sua família iriam se exilar. Ovonramwen foi exilado em Calabar com suas duas mulheres, e lá morreu em 1914.

Segundo os relatos citados em muitas bibliografias que abordam o Batuque Afrosul, um dos filhos de Ovonramwen era Osuanlele, considerado por alguns como seu primogênito. A Osuanlele é atribuida a figura de Custódio Joaquim Almeida (nome adotado no Brasil), o nome que ele teria adotado ao mudar-se para o Brasil, onde residiu até o final de sua vida na cidade de Porto Alegre/RS.

Um conflito na História

No entanto, apesar de a Custódio ser atribuido ser Osuanlele, o filho de Ovonramwen e por conseguinte “príncipe” de Benin, existem muitas discordâncias históricas; uma delas é que na história do Reino de Benin, não há nada que relate alguns dos filhos de Ovonramwen sendo exilado no Brasil.

Outra discordância seria assimilar um nobre de etnia Edo, ao culto Vodun e chamá-lo de pai dos Jejis no Rio Grande do Sul, pois há inúmeras evidências de que Custódio Almeida praticava um culto nàgó. Com estas evidências alguns escritores e historiadores chegam a acreditar que Custódio teria tido conhecimento do exilio do Obá e sua família e teria se aproveitado do fato para se intitular um nobre, um dos príncipes Edo.

Há também escritos que denominam Custódio como “Príncipe de Ajudá”, referindo-se ao porto de Ouidah, na atual República de Benin (antigo Reino de Danxomè), de onde partiram vários negros de etnia yorubá para o Brasil e talvez esse teria sido o motivo de uma associação entre a figura de Custódio e o povo Jeji, no entanto não há nenhuma evidência história de que algum “Príncipe de Ajudá” tivesse vindo para o Brasil, ainda mais em epócas tardias da escravidão como se referem os relatos voltados a figura de Custódio.

O Culto dos Voduns Reais

Como se sabe, a realeza daomeana tinha uma maneira própria de culto. Seus Voduns (Hennu-vodun) eram Voduns famíliares, ou seja, o culto de seus próprios ancestrais que eram divinizados e tornados Voduns. Não existe no Rio Grande do Sul vestígios ou relatos de algum culto semelhante; diferente do que existe no Maranhão na Casa das Minas, uma casa de tradição Jeji, que teria sido fundada pela rainha Na Agotimé, esposa do Rei Agonglo que teria sido exilada e mandada como escrava para o Brasil por seu enteado Adandozan. A Casa das Minas realiza uma prática única de culto aos voduns ligados a família real de Danxomè (Daomé).

Conclusão

A origem exata de Custódio Joaquim Almeida, apesar de diversos estudos realizados a seu respeito, continua um mistério. Sem dúvida foi uma personalidade que teve muito prestígio e criou laços com personalidades da elite, importantes na época. As conclusões que se pode tirar é que foi e ainda é uma importante figura e um dos pilares na formação do Batuque do Rio Grande do Sul como é conhecido hoje. No entanto, dentre os relatos que o citam, sempre apontam uma forma de culto nàgó, e não Jeji, como afirmam as tradições orais do Batuque. Uma das hipóteses é que ele tenha se integrado a comunidades de negros ditos Jejis que aqui ja estavam e que ele teria se auto-denominado Jeji e sua raiz religiosa assim se perpetuou, absorvendo uma porção de costumes e rituais praticados por ele.

Estudo de imagem

Na foto abaixo vemos Ovonramwen ao centro; suas duas esposas uma de cada lado, envoltos pelos filhos. O rapaz mais alto, atrás de Ovonramwen é tido como sendo Osuanlele.

 

Obá Ovonramwen e sua Família

Obá Ovonramwen e sua Família

 

Texto: Charles da Silva (Hùngbónò Charles),

Formação em História (Unopar), especialista em História e Cultura Afrobrasileira (Uniasselvi)

 

 

Fontes e Referências:

-Redescobrindo o Nàgó do Príncipe Custódio (https://ileaseekundeyi.files.wordpress.com/2013/04/redescobrindo-o-culto-nago-do-principe-culstodio.pdf)
– Alberto da Costa e Silva, Um chefe africano em Porto Alegre, in “Um rio chamado Atlântico”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira;UFRJ, 2003

-Mundo Escola – Reino de Benin (http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/reino-benin.htm)

-Thomas Uwadiale Obinyan, The Annexation of Benin, in Journal of Black Studies, Vol. 19, No. 1 (Sep., 1988), pp. 29-40

 

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fevereiro 6, 2014 Digite sua senha para ver os comentários.

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Aziza

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Aziza é um Vodun do interior das florestas. É um Vodun que vive nos mais profundos e escuros lugares das florestas, descrito como anão e peludo, ligado ao mundo das criaturas estranhas, a Höxò, a Tòxosú, a Agué e as Kenesis.

É por excelência o Vodun dos mistérios das plantas. Também é o Vodun que faz aflorar no homem os mais profundos sentimentos ligados a arte, as emoções e seu sentido de existir.

Está ligado aos mistérios e fundamentos de todos os Voduns por sua relação com os mistérios das plantas e das folhas.

Aziza não tem culto muito difundido na diáspora como Agué cujo culto se sobressaiu sobre o de Aziza, embora dentro do culto de Agué, principalmente nos ritos onde se usa amä (folhas) Aziza seja invocado e louvado, pois os dois Voduns tem muitas ligações.

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Abaixo um xwenuxó (itan) de Aziza da tradição oral dos jejis e um poema de invocação a Aziza:

“Certa vez um caçador que emigrou para uma determinada área bem florestada, estranhou por que a caça estava à cada dia que passava mais reduzida, num dia em que caçava no interior de uma floresta, onde aprofundou-se, e sem ouvir sequer um ruido, voltando-se depara com um ser pequenino, tipo anão, de olhos luzentes e avermelhados como brasas vivas, era Azizà, grande amawato (curandeiro), azètɔ ́(feiticeiro) e protetor dos animais e plantas das florestas que se apresentou e lhe perguntou o que ele fazia ali? O caçador respondeu que estava em busca de caça, porquê estava com fome. O pequeno ser, então, disse que da próxima vez que voltasse, trouxesse dois frangos para comer, mas que lhe faria um “bò” para que nunca faltasse comida em casa, já que fazia muitos e com distintas finalidades. Mas o que seria o tal “bò”? O caçador muito assustado com tudo isso, voltou para casa pensando como poderia levar dois frangos se somente tinha um galo e uma galinha?
Chegando em casa, para seu maior espanto, sua galinha botara muitos ovos, e alguns chocaram, e dalí se pôde tirar os frangos e levar para a floresta para que aquele gênio lhe preparasse o “bò” para sua prosperidade. O caçador penetrou na mata e assobiou chamando Azizà que lhe entregou uma estatueta esculpida em madeira, e lhe ensinou como tratá-la. Ele retornou com o “bò” e a partir dalí suas criações e campos cultivados prosperaram incessantemente, então o “bò” passou a ser adorado como objeto de culto vodún que desempenha funções místicas específicas. 

Aziza (Poema)
Aziza, clarividente espírito nos profundos abismos. Nem seus pés ou mãos deixam vestígios. Na trilha dos volumosos arbustos intercalados, sem cortes, sem ferramentas ou pirilampos na noite. Seu corpo e sua mente passaram por moradas do medo, trilhas iluminadas pelo escuro opaco e preto para entrar no reino cobiçado, mas de desconhecidos gênios.
Aziza, tua lenda alimenta várias histórias, canções e contos, e para a conta do seu destino para sempre enganados. A série de mistérios brota na lenda ancestral. Quem reforça o seu passado e seu personagem reanima a contesta. Em um solo úmido ou madeira podre, enlameada, na floresta ou sobre os montes nus, a chuva é a suspeita de tuas virtudes e de seu colorido, de seu nada e de seus feixes de madeira morta.
Em seu pensamento e seus gritos de pesados silêncios, algumas glórias ao segredo de sua medida. Outros afirmam a fúria de sua ira. Mas para todos, és uma estadia de profundidade desconhecida. Seu conhecimento das plantas, Aziza, faz da floresta, que sábio pára, para assistir na madrugada ou à noite.
Você confia na serpente que levanta a folha e faz os mortos retornarem à vida, desde o sapo. Em pálida tristeza, por vezes o guerreiro procura sua ajuda, que é de uma forma desconhecida de todos os homens.
Na palma do Loko você recolhe a água, que o céu em misericórdia enviou ao seu pedido. A procissão do vento acompanha o seu produto, e o sopro de suas localizações em passos surdos sem tentar manter o seu legítimo lugar. Invisível ao homem, com seu talento e sua íris, é Aziza no seu mítico, vagando longe dos perigos.
Tu visitas a nossa coragem em nossas entranhas, forja envergonhada, e é eleito um prodígio em sua volta, enquanto que transformou. De sua força, eles têm uma grande consciência, mas em sua memória, eles perderam a faixa, despossuídos pelo véu do passado, do cordão umbilical da sobrevivência. Eles, seus poderes e seus dons para proclamar os benefícios.
Da sua boca a palavra que alivia e cura, de suas mãos, a receita que se refere à doença. Com base nisso, eu baseio a minha crença – Aziza – na sua existência, feito desfoque e mistério que não sai. Aziza, o espírito do gênio, continua a ser aquilo que sempre foi. (Poema feito por: Fiangor, Rogo Koffi.)aziza sakpata

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agosto 26, 2012 Digite sua senha para ver os comentários.

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Protegido: Tá e Tásèn: o conceito jeje de “orí”

março 14, 2012 Digite sua senha para ver os comentários.

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Averekete, Logun Edé e Ajaunsi – diferenciação

Avlekete ou Averekete é um vodun ligado à pesca e a caça, erroneamente comparado ao orixá Logun Edé e a um outro vodun chamado Ajaunsi. Estas divindades são bem diferentes uma da outra, sendo sincretizados, talvez, pela característica de ambos serem ligados a caça e a pesca, mas a cosmogonia deles é bem diferente.

Logun Edé é um orixá de Ijexá filho de Oxun e Odé, ligado a caça e a pesca, um dos mais belos Orixás, pois assim também a beleza é uma característica de seus pais. Suas cores são o azul turquesa e o amarelo ouro e tem como símbolos a balança, o ofá, o abebè e o cavalo marinho.

Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes.
No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.

Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Naés (mães d’água). É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naés. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. Suas cores variam entre o azul, o verde e o amarelo.

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