Averekete, Logun Edé e Ajaunsi – diferenciação

Avlekete ou Averekete é um vodun ligado à pesca e a caça, erroneamente comparado ao orixá Logun Edé e a um outro vodun chamado Ajaunsi. Estas divindades são bem diferentes uma da outra, sendo sincretizados, talvez, pela característica de ambos serem ligados a caça e a pesca, mas a cosmogonia deles é bem diferente.

Logun Edé é um orixá de Ijexá filho de Oxun e Odé, ligado a caça e a pesca, um dos mais belos Orixás, pois assim também a beleza é uma característica de seus pais. Suas cores são o azul turquesa e o amarelo ouro e tem como símbolos a balança, o ofá, o abebè e o cavalo marinho.

Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes.
No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.

Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Naés (mães d’água). É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naés. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. Suas cores variam entre o azul, o verde e o amarelo.

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Família de Sakpata

junho 29, 2011 Comentários desligados

Sakpata é um vodun muito temido e respeitado, o senhor das doenças contagiosas e intitulado “Ayinon” – o Dono da Terra. Considerado uma divindade de dupla etnia, pois seu culto transita entre os povos Fon e Yorubá, onde é conhecido pelo nome de Sòpònná (Xapanã).

Sakpata é considerado por alguns como o primogênito de Mawu-Lisá, e por outros como sendo filho da antiga mãe Nanã Buluku. São muitos os voduns que fazem parte da família de Sakpata, todos tendo características e culto próprio mantendo relações de semelhanças entre si. Todos estes voduns estão ligados à terra, às doenças e a cura. Alguns estão associados à riqueza e a miséria. Suas vestimentas são feitas ou levam a palha da costa, um dos principais símbolos destes voduns. Alguns usam o xaxará, outros o bastão, a lança e o facão. As cores são variadas, mas geralmente se remetem aos tons mais escuros, em especial o roxo, o preto e branco, o bordo e o vermelho.

Azansú (homem da esteira) ou Azonsú (homem doente) são os nomes pelo qual Sakpata é conhecido nos candomblés jeje mahi. Usa palha da costa que lhe cobre todo corpo e o xaxará, com o qual capta e retira a energia negativa dos ambientes. Sua cor é o roxo ou o bordô. A saudação para os voduns desta família é “Abáo, sísí daagbo”.

Avimaje é um vodun jovem da família de Sakpata, o mensageiro entre os voduns desta família. É ele quem “carrega as almas”, veste-se de branco e é guerreiro. Carrega um facão e não usa o xaxará. Tem ligações com o vodun Kposu.

Parará, Kpadadá ou Pararaligbú é um sakpata feminino. Rege a terra e as doenças, e as feridas provocadas pela varíola simbolizam as jóias de Parará. Sua cor é o roxo. Carrega um pequeno xaxará.

Azoani, Azawane ou Azonwäne é considerado, principalmente pelo jeje do RJ, como um vodun das ervas, com muita ligação ao vodun Agué. Para outros porém esse nome é apenas mais um “apelido” de Azonsú-Sakpatá (e é assim que consideramos aqui em minha casa).

Em geral todos estes voduns são muito exigentes com seus filhos, sendo amados e temidos por eles. Cabe aos sakpatas a fiscalização das casas de religião, sempre mantendo a moral e os bons costumes. Ewá está intimamente ligada a Azansú, sendo a responsável pela tarefa de fiscalizar as casas para os demais sakpatas.

Na África, até hoje, os sacerdotes de Sakpatá são chamados de Ánàgónú, talvez uma referência a possível origem nagô deste vodun.

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O Vodun Azannado ou Zòonodò

Vodum muito pouco conhecido e cultuado que pertence à família (panteão) de Dan, outros consideram que seja de Hevioso, mas certamente está ligado aos dois. Azannado (Azanadô) ou Zòonodò (Zônodô) é um vodum de morada na árvore, estando por este motivo ligado também ao vodun Loko. É um principe vodum.

No Terreiro do Bogun, havia uma enorme árvore (atinsá) consagrada ao vodun Zòonodò, que foi derrubada pelo tempo. Neste terreiro faz-se obrigações anuais (6 de Janeiro) a ele.

Alguns consideram que o Vodun Zòonodò é o mesmo Vodun Zomadonu cultuado na Casa das Minas. Zomadonu é um Tòhosú (Tòxosú, termo que significa “rei das águas”, trata-se de uma divindade que se manifesta em crianças que nascem com deficiencias ou monstruosas), filho carnal da rainha Kuande e do rei Akaba, do antigo Dahomey.

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Naés ou Mami Wata e as Tògbosì

 

Mami Wata é uma corruptela da palavra “Mommy Water” e significa “mãezinha da água”. Naé significa “mãe”. É o nome coletivo das deusas daomeanas das águas doces ou salgadas. Vivem em plena harmonia com todas as divindades destes habitat e por essa razão convencionou-se chamar Yemanjá e Òsún, nas casas Jejes, de Mami Wata ou Naé.

As Naés são mulheres muito vaidosas, caridosas, algumas são guerreiras e outras caçadoras. Adoram o brilho das pedras e do ouro e gostam de se adornar com colares de conchas e caramujos, pulseiras, etc.

Algumas Naés vivem na superfície das águas, são as mais falantes e adoram se enfeitar. Gostam de passear pela mata, caçar, junto com Agué aprenderam o domínio das folhas, pescam junto com Averekete. São as mais vaidosas e são muito juviais. Já outras preferem as profundezas das águas, gostam de ficar quietas e não são muito falantes, mas são muito bondosas e compreensivas.

As mais misteriosas e feiticeiras, são as Naés que habitam as águas paradas. Acredita-se que estas Naés estam ligada à feitiçaria, ao culto dos Akututus (Eguns) e são conhecedoras da alta magia, além de ser as mais guerreiras. Mantém ligações também com Nanã.

Muitos consideram e convencionam chamar de Togbosì (onde Tò: água; gbo: grande quantidade; sì: dando idéia de “pertencer”, podendo também significar “esposa”)  às divindades do panteão Mami Wata. O fato é que esta palavra já é utilizada para designar um outro grupo de Voduns (a palavra mais adequada seria sub-voduns) meninas, que pertenciam à realeza do antigo Dahomey. As Togbosi eram cultuadas no Brasil no Kwerenbentan to Zomadonu (Casa das Minas) até a década de 60 aproximadamente. Elas só chegavam nas Vodunsì Gonjai, mulheres com plena iniciação. Cada Tògbosì era particular de sua Gonjai. Após a morte dessa Gonjai, aquela Tògbosì não chagava mais. Sua missão havia terminado ali. Com o tempo perdeu-se o fundamento destas princesinhas voduns e deixaram de ser cultuadas. A preparação das Gonjai durava 9 dias e eram recolhidas em um barco denominado “Barco das Meninas” ou “Barco das Novidades”. No Benin as Tògbosì ainda tem culto organizado nos rituais dos Voduns Reais, elas simbolizam a ultima fase de preparação das Vodunsis.

Voltando às Naés, abaixo algumas, mais conhecidas:

Naé Aziri: Esta Naé habita o fundo das águas doces, representada por uma serpente aquática, e que é muito confundida com Òsún. Tem fundamentos com Dan.

Aziri Tògbosì: É tida como a mais importante mãe das águas da Nação Jeje Mahi. Habita o fundo das águas, tanto doces como salgadas, veste-se de branco e usa um colar de pérolas. Tem ligações com a mãe nagô Yemanjá.

Naé Gorejí: É uma menina que adora passear pelas águas. Ligada às águas doces e salgadas, seu local preferido são as lagoas, onde ela adora brincar com os patos e aprender com as velhas Naés das águas paradas o segredo da magia. Em alguns aspectos se assemelha a Òsún, pois é muito vaidosa e adora as crianças. Em seus assentamentos podemos encontrar vários brinquedos de meninas.

Sayò: É a sereia que vive sobre as ondas do mar. Está ligada à Naé Agbé e junto com ela sempre que podem evitam os afogamentos e salvam vidas.

Naé Agbé: muito ligada e por vezes confundida com Yemanjá, esta Naé é velha e habita o fundo das águas. Representa todo o conhecimento e a inteligência dos seres, está ligada à verdade, é ela quem faz que a verdade sempre apareça. (Não confundir com o vodun Agbé Tayó que é o Rei do Oceano, nem com Agbé Gèlèdè e Agbé Afefé que são voduns guerreiras ligadas aos ventos, raios e akututus (eguns)).

Òsún: vodun de origem nagô, senhora da beleza e das águas doces, sendo uma mãe muito importante nos cultos de Jeje Mahi.

Yemanjá: vodun de origem nagô, senhora do oceano e considerada a mãe dos demais nagô-voduns. Está ligada ao conhecimento e a inteligência, à família e à maternidade.

Mami Wata

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Nagô-Vodun Oyá e Aveji Da

Oyá

Oyá, também conecida como Iansã pelos candomblés de Ketu, é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que exterioriza a sua raiva, o seu ódio. Dessa forma, passou a identificar-se muito mais com todas as actividades relacionadas com o homem, que são desenvolvidas fora do lar; portanto não aprecia os afazeres domésticos, rejeitando o papel feminino tradicional. Oyá é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento.

Um Vodun Nagô para o Jeje Mahi, senhora da ventania e da tempestade. Vodun de Gaiaku Luiza, a grande sacerdotisa do Jeje Mahi. Oyá está ligada a outras mulheres guerreiras, voduns conhecidas como Aveji Da, ligadas aos ventos, furacões e aos Akututus (Eguns).

Aveji Da

São voduns femininos da família Hevioso ou Sakpata, cada uma com sua responsabilidade e regência.

As Aveji Da da família Hevioso são divindades relacionadas aos fenômenos da natureza tais como chuvas, tempestades, tufões e furacões. São guerreiras ou caçadoras, cujo poder é imenso e temperamento forte. São quentes e irriquietas, estando ligadas as alturas, nuvens e astros. Estão juntas com os Kavionos, julgando a humanidade e castigando quando se faz necessário. Tem certa importância sobre o processo financeiro da sociedade, dividindo com Sogbo o domínio do elemento fogo. Estão sempre dispostas a guerrear pelas casas onde são cultuadas, sendo de extrema importância na batalha contra queimações e inimigos ocultos ou assumidos.

A principal Aveji Da do panteão do trovão é Vodun Djó, divindade responsável por fertilizar e esfriar a terra através da chuva. Segundo os ítàns, vodun Djó teria o poder de se transformar em animal, assim como Oyá. Veste vermelho e usa adornos cobreados.

As Aveji Da do panteão da Sakpata seriam coligadas ao domínio dos mortos, possuindo todas ligações com os ancestrais, sejam masculinos ou femininos. Elas ficam juntos com os Sakpatás, ajudando a cuidar dos enfermos e dando auxilio no desencarne. Tem como principal função sondar o funcionamento das Casas e quando veem algo de errado cobrar, muito das vezes fechando-os.

A principal Avejidá da família Sakpata é Agbé Gèlèdè, senhora dos mortos e do culto aos Akututos (ègún). Agbé Gèlèdè teria o poder e a importância de Oyá Igbale dos cultos iorubás, sendo invocada em síhúns, ègbós e limpezas nas quais seja necessária sua presença. Representa o desencarne e a aceitação do espírito para com sua morte, sendo responsável pelo envio dos espíritos desencarnados para o òrún.

As Aveji Da são extremamente poderosas e independente da família com a qual é associada, possui grande importância para os kwês e adeptos do culto. Representam a liberdade, a batalha cotidiana e a força de vontade.

Podemos citar ainda Agbé Afefé ligada a alegria e a felicidade, também aos mortos, seu símbolo são as flores as quais ofertamos a nossos entes queridos, que representam toda felicidade que passaram em suas vidas. Agbé Huno, a Aveji Da guerreira e da tempestade.

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Iniciação no Jeje Mahi

De um modo geral, a iniciação no Jeje é mais complicada do que a iniciação da Nação Ketu, a começar pelo tempo de reclusão dos neófitos que no passado durava até um ano. Hoje, devido ao ritmo de nossas vidas, este tempo caiu para seis meses. Três meses a vodunsi fica dentro do Hundeme (quarto de santo) e os outros três meses fora dele, mas ainda na roça. Durante seu período de iniciação a Vodunsi passará por várias etapas, entre as quais pode-se citar Sakpokàn ou Sarakpokàn, Vivauê, Kán, Duká, Zò, Sanjebé, Grá (ou Grã), etc. Dentre estes os de maior destaque o Sakpokàn e o Grá. A iniciação no Jeje Mahi sempre contece com formação de “barcos” ou “ahamas”, pela tradição nunca se recolhe uma única pessoa e nem barcos com números pares de componentes, levando ao entendimento de que sempre que houver iniciação deve-se ter no mínimo três Vodunsis em processo na roça. Em geral cada sacerdote ou sacerdotisa Jeje Mahi, durante seu comando, não recolhem muitos barcos; a quantidade controlável de filhos de santo é muito importante, pois há um ditado que diz “é melhor ter poucos filhos bons a muitos ruins”. Na Casa das Minas também não é diferente. A iniciação da Vodunsi começa com a filha “bolando” (caindo) aos pés da arvore (atinsá) consagrada a seu Vodun, e ali ela permanecerá desacordada durante sete dias e sete noites. Dizem que já houve casos de vodunsis consagradas a voduns aquáticos que ficaram esse período na água. A ordem das vodunsis no barco se dá pela ordem conforme elas vão ”bolando” nos atinsás, assim teremos: A primeira será Dofona (o) ( Dòfònun) A segunda será Dofonotinha (o) (Dòfònuntín) A terceira será Fomo (Fòmò ou Yòmò) A terceira será Fomotinha (o) (Fòmòtín) A quinta será Gamo (Gàmò) A sexta será Gamotinha (o) (Gàmòtín) A sétima será Vimo (Vimun) Durante o tempo que a Vodunsi permanecer debaixo do atinsá de seu Vodun, será cuidada pelos Ogãs e Ekedjis. Neste período, a mãe de santo (ou pai) é proibida de ir ver a filha. Isso por que a(o) zeladora(o) pode sentir pena da Vodunsi e de certa forma pode querer ajudá-la, afim de aliviá-la de seu estado. Acabando os sete dias, a vodunsi ainda desfalecida será levada pelos ogans até o zelador no Hundeme para que este inicie a feitura. O momento em que a vodunsi acorda do desfalecimento é considerado como um renascimento, após passar pela morte ritual e acordar numa nova vida, agora como Vodunsi, um compromisso que deverá carregar consigo por toda sua vida. A partir daí a vodunsi passará por processos de limpezas, descarregos, banhos de ervas, ebós, e durante uma semana deverá descansar até o dia do Sakpokàn ou Sarakpokàn. O Sakpokàn é uma cerimônia que acontece sete dias após o inicio dos rituais de feitura, quartorze dias após o “bolar” na qual a vodunsi dança manifestada com seu Vodun. A dança é desajeitada e desordenada. O Sakpokàn também representa a despedida da Vodunsi de seus familiares que forem assistir ao ritual, que só verão a vodunsi novamente meses depois no “dia do nome”. No dia do Sakpokàn a Vodunsi será raspada e catulada. Das etapas de iniciação que a nova Vodunsi deve passar, a mais intrigante e misteriosa é o Grá. O Grá O Grá é uma divindade ou entidade violenta e agressiva que se manifesta na Vodunsi apenas na sua iniciação durante três dias e próximo ao “dia do nome”. O principal objetivo do Grá é matar o(a) zelador (a) que deverá permanecer escondido nos aposentos da casa durante os três dias em que o Grá estiver manifestado. O Grá é acompanhado pelos Ogans, Ekedis e algumas Vodunsis antigas que farão com que ele realize algumas penitências, fazendo-o cansar. Há um número certo de pessoas que poderão acompanhar o Grá que durante estes três dias ficará solto pelo pátio da roça comendo tudo que encontrar como folhas de árvores e frutos caídos, motivos estes que exigem que a roça seja grande e com bastante árvores. As pessoas que acompanham o Grá, assim como ele mesmo, carregam um porrete com o qual ele tenta agredir as pessoas e realiza sua penitência, que tem como objetivo levar todo mal e toda energia negativa da Vodunsi, e também o objetivo principal de cansar o Grá para que ele não cause tanto transtorno. Durante os dias de penitência, os acompanhantes entoam certas cântigas específicas. Após os três dias procurando o(a) zelador(a), o Grá tem o encontro tão esperado, que acontecerá no Agbasá (salão de dança). Ao som de paó e adahun, o Grá entra pela porta principal do Agbasá e se deparara com o(a) zelador(a), que estará sentado(a) em uma cadeira esperando por ele, partindo pra cima do mesmo para matá-lo. Neste instante todo cuidado é pouco, pois o Grá pode ferir o(a) zelador(a). Quando o Grá adentra o Agbasá, os Ogans correm para tirar-lhe o porrete que ele luta para não entregar. É um momento de extase. Nesse instante os tambores tocam com mais força e o(a) zelador(a), então nervoso e sem poder sair da cadeira, entoa uma cantiga e a Vodunsi cai desfalecida no chão e logo em seguida é pega pelo Vodun. É um alivio total e o ritual do Grá chegou ao fim. A quem diga que o Grá é um Erê malvado, outros dizem que é o Exu do Vodun, outros ainda dizem que é o lado negativo do Vodun ou mesmo da própria Vodunsi, um lado animalesco e primitivo seu, que está no seu inconsciente, que manifestou-se em seu renascimento e que foi mandado embora para sempre. O Grá despeja pra fora toda raiva e o ódio da Vodunsi. Como se depois do Grá não houvesse mais ódio, raiva, rancor dentro da Vodunsi, somente o que é bom e benéfico. Significa que a Vodunsi nunca mais sentirá fome, nunca vai dormirá no relento, nunca mais irá confrontar ou agredirá seu(a) zelador(a), fisicamente ou com palavras, pois o Grá levou isso com ele. O ritual do Grá envolve muitas simbologias e interpretações que pelas leis do Jeje não poderei citá-las aqui. O Dia do Nome O Dia do Nome é um dia muito especial, com cerimônia pública (Zandró) no Jeje Mahi. O Vodum manifestar-se-á em sua Vodunsi e vai dançar na sala. Antigamente, uma única pessoa era escolhida para tomar o nome particular (Hún ìn) do Vodun de todas no “barco”, sendo considerado(a) padrinho ou madrinha do “barco”. Hoje geralmente são escolhidos mais de uma pessoa para esta tarefa. Após este dia, a iniciante agora sim é uma Vodunsi.

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Aziri; Aziri Togbosi

Aziri Togbosi, Azli Togbosi ou Aziri Tobôssi (onde Tògbosì: Tò – água; gbo – grande quantidade; sì – esposa, senhora) é a maior e mais importante mãe das águas do Jeje Mahi, é uma divindade ligada às águas profundas, sejam elas doces ou salgadas, e tem estreitas ligações com a mãe nagô Yemanjá. Veste branco e adorna o pescoço com pérolas, considerada como a mãe de muitos Voduns, a ela é consagrada uma Obrigação todo ano no Hunkpame Ayiono Huntoloji da saudosa e reverenciada Gaiaku Luiza de Oyá, assim como no Sejá Hunde e aqui em nosso terreiro.

Naê Aziri, Aziri Tolá ou Azli é uma mãe das águas correspondente a Òsún, ligada às águas doces e considerada uma mãe velha.

Seguindo a variação podemos encontrar diferentes variações do nome como Aziri Kaia ou Togbosi Kaia (nome como Aziri Tobôssi é conhecida no Jeje Savalu), mas lembramo-nos que no Jeje não existem qualidades de Voduns, assim sendo, cada nome designa apenas um vodun ou é variação de um mesmo nome. Assim Aziri Tobôssi e Aziri Tolá são as correspondentes, respectivamente, de Yemanjá e Osun.

Ainda quanto a Aziri Tobossi, ela pode ser tanto de água doce como salgada dependendo do seu Hún in (nome particular do Vodun)

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